Importações de automóveis no Brasil se concentram em Vitória, Paranaguá e Salvador

Importações de automóveis no Brasil mudaram de eixo nos últimos quatro anos e passaram a se concentrar em Vitória (ES), Paranaguá (PR) e Salvador (BA), segundo levantamento da Logcomex. Entre janeiro e setembro de 2026, esses três pontos de entrada responderam por 74,7% dos veículos analisados, ante 22,4% em 2022, em um movimento puxado sobretudo pela presença crescente de carros chineses e eletrificados.

O estudo mostra que o país importou 528,3 mil automóveis nos primeiros nove meses de 2026, alta de 103,8% em relação ao mesmo período de 2025. O valor das operações chegou a US$ 8,57 bilhões, crescimento de 83,3% na mesma base de comparação.

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  • Vitória, Paranaguá e Salvador assumem a liderança nas importações

    Vitória lidera o ranking nacional, com 226,1 mil automóveis importados e participação de 42,8%. Paranaguá, que ocupava o sexto lugar em 2025, avançou de 12,5 mil unidades para 88,3 mil em 2026, alta de 608,8%. Salvador aparece em terceiro, com 80,3 mil veículos, expansão de 797% sobre cerca de 9 mil unidades no ano anterior.

    Juntos, os três pontos de entrada responderam por 89,8% do aumento das importações brasileiras de automóveis entre 2025 e 2026. Em contrapartida, Santos e Rio de Janeiro perderam espaço. Em 2022, os dois portos concentravam 52,4% das entradas; agora, somam 11,3%.

    A mudança ocorreu mesmo com volumes próximos aos de 2022. Santos movimentou 29,6 mil unidades em 2026, queda de 3,1% ante as 30,5 mil daquele ano. Já o Rio de Janeiro passou de 28,5 mil para 30,3 mil automóveis, alta de 6,2%.

    Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex, afirma que a nova distribuição acompanha o avanço dos veículos chineses e eletrificados. “A ampliação das operações nesses portos acompanha o aumento da participação chinesa e a expansão dos fluxos de importação de veículos eletrificados. O que chama a atenção é a velocidade dessa transformação e como ela está alterando a distribuição das cargas pelo país. Em poucos anos, pontos de entrada que tinham uma participação pequena passaram a concentrar uma parcela expressiva das importações brasileiras”, afirma.

    Importações de automóveis chineses redesenham a logística nacional

    A China consolidou sua liderança nas importações brasileiras de automóveis. Em 2022, os veículos chineses respondiam por 9,9% do total; em 2026, chegaram a 80,3%, com 424,2 mil unidades e US$ 6,06 bilhões em operações.

    Esse avanço alterou também o perfil de origem em cada porto. Em Vitória, os automóveis chineses representam 91,1% das importações. Em Paranaguá, a participação saltou de praticamente zero para 67,5%, enquanto o México respondeu por outros 24,3%. Já em Salvador, todos os 80,3 mil veículos importados em 2026 vieram da China, em sua maioria modelos elétricos e híbridos plug-in.

    A Argentina, que era a principal origem em 2022, caiu de 65,9% para 6,8% da participação total, com recuo de 74,3 mil para 36 mil unidades. No mesmo período, a China assumiu a liderança e passou a responder por oito em cada dez automóveis importados.

    O estudo também identificou novos pontos de entrada. A Alfândega de Fortaleza contabilizou 6,4 mil automóveis em 2026, quase todos elétricos e chineses. O Porto de Itaguaí registrou 2,3 mil veículos totalmente elétricos vindos da China, enquanto a Estação Aduaneira de Anápolis somou 3,1 mil automóveis, predominantemente híbridos plug-in chineses.

    A transformação alcançou ainda o perfil tecnológico dos veículos importados. Em 2022, elétricos e híbridos representavam 17,4% do total analisado. Nos primeiros nove meses de 2026, essa fatia subiu para 80,4%, com 424,9 mil unidades.

    Os veículos totalmente elétricos responderam por 36,9% das importações, com 195,1 mil unidades. Os híbridos plug-in representaram 31,1%, e os híbridos convencionais, 12,4%. A China concentrou 96,6% dos automóveis totalmente elétricos importados pelo Brasil e 97,5% dos híbridos plug-in.

    Para Hofstatter, a nova distribuição exige revisão das operações de comércio exterior. “Quando muda a origem de um produto, muda também a lógica da operação de comércio exterior. As empresas precisam avaliar rotas marítimas, pontos de desembarque, estruturas de armazenagem e distribuição para definir como atender ao mercado brasileiro. O crescimento das importações chinesas mostra que a competitividade das montadoras não depende apenas do veículo que chega ao consumidor, mas também da eficiência de toda a cadeia logística que permite sua entrada no país”, avalia.

    O executivo também vê um cenário de concorrência mais intensa no mercado automotivo brasileiro, com impacto sobre produção e investimentos. “A entrada de novos fabricantes amplia as opções disponíveis ao consumidor e pressiona as marcas já estabelecidas a rever suas estratégias comerciais, seus portfólios e seus investimentos em tecnologia. Acredito também que veremos uma atenção crescente à produção local”, analisa.

    Segundo ele, política tributária, infraestrutura de recarga, aceitação dos consumidores e assistência técnica também influenciam a consolidação desse mercado. Além disso, a inteligência de dados ganha peso no planejamento de abastecimento e distribuição, diante do avanço dos fluxos e da concentração das cargas em novos corredores logísticos.

    Sobre o levantamento: a Logcomex analisou registros de importação de automóveis de passageiros entre janeiro e setembro, de 2022 a 2026, considerando dez classificações fiscais. Os volumes foram apurados por unidade da Receita Federal responsável pelo despacho aduaneiro e não correspondem necessariamente ao local físico de desembarque. O estudo não inclui veículos comerciais, picapes e outras categorias fora dos códigos analisados.

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